sexta-feira, 11 de março de 2011

Igrejas Emergentes (Parte 4)

Os três erros básicos aqui apontados nos textos anteriores são cometidos pelos diferentes tipos de igreja emergente já alistados: as conformistas, as místicas, as pluripartidárias e as ultrainformais. No entanto, duas palavrinhas ainda precisam ser ditas sobre o desvio das místicas e das ultrainformais.

Conforme dito, as igrejas emergentes místicas são aquelas que, em suas reuniões, usam cruzes, velas, incenso, cortinas escuras e vários objetos cultuais, tudo com o propósito de criar um ambiente lúgubre que, segundo dizem, é capaz de satisfazer o anelo religioso do homem pós-moderno.

Ainda que aleguem que o uso desses recursos seja bíblico, o fato é que é simplesmente impossível encontrá-los nos cultos realizados pelas igrejas locais do Novo Testamento. Aliás, a atmosfera cultual lúgubre presente nos cultos da Idade Média, atmosfera que essas igrejas pretendem reproduzir, jamais resultou da análise de textos bíblicos, sendo, na verdade, o desdobramento da corrompida teologia escolástica que marcou a época e também da pessimista visão de mundo que permeou a mente dos homens daqueles séculos.

De fato, segundo a teologia escolástica, na missa, o sacrifício de Cristo acontecia literalmente, sendo a catedral (aliás, construída em forma de cruz), o lugar sagrado em que esse sangrento holocausto se repetia vez após vez. Daí a atmosfera melancólica e sombria daqueles imensos edifícios que, como túmulos medonhos, abrigavam dentro de si o “corpo eucarístico” de Cristo. Além disso, deve-se considerar que os séculos 11 a 13, período em que se ergueram as grandes catedrais europeias, o mundo estava imerso num ambiente geral fúnebre, estando a realidade da morte presente de forma contínua na mente das pessoas. As guerras, a fome e a miséria decorrentes dessas mesmas guerras, a queima pública de hereges, as epidemias de peste bubônica e outras doenças, tudo isso fazia com que o homem medieval tivesse uma visão lutuosa da vida, o que se manifestava no culto cristão, sempre sombrio e repleto de imagens e símbolos tenebrosos.

Ora, a realidade evangélica atual não compartilha nada disso. Nossa teologia (pelo menos “oficialmente”) não adota nada da concepção escolástica e o ambiente histórico-cultural em que as igrejas emergentes se desenvolvem não tem nada de lúgubre, estando mais voltado para a diversão e o entretenimento numa intensidade jamais vista em qualquer outra fase da história humana.

Assim, o ambiente criado pelas igrejas emergentes místicas é apenas um arremedo da liturgia medieval, uma reprodução teatral grosseira do culto escolástico, a montagem de um cenário repleto de componentes artificiais que não traduzem nem o ensino bíblico, nem a teologia evangélica, nem o momento histórico em que vivemos. Ao que parece, trata-se de apenas mais uma estratégia de marketing religioso destinada a causar impacto em jovens fascinados pela temática fúnebre ou atraídos por qualquer coisa que tenha coloração mística.

(Continua).

Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

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