quarta-feira, 2 de março de 2011

Igrejas Emergentes (Parte 3)

O segundo equívoco do pensamento emergente é a crença de que o culto cristão deve ser planejado tendo como alvo o homem, posicionando-o no centro de tudo. A Bíblia se insurge contra essa falácia. Em Mateus 4.10, Jesus aponta o Senhor Deus como o único personagem em torno do qual o culto deve se desenvolver. Cristo ensina ainda que a verdadeira adoração não é a que se preocupa com aspectos cultuais exteriores a fim de satisfazer as expectativas das pessoas (Jo 4.20,21). Segundo ele, a adoração genuína é aquela em que o homem fixa seu coração exclusivamente no Pai, ansiando cultuá-lo de forma sincera, num louvor que emana da sua própria alma (Jo 4.23,24). Ora, um adorador assim não se ocupa de agradar incrédulos ou quem quer que seja. Seu alvo exclusivo durante o culto é honrar e enaltecer o Senhor.

Ademais, o autor de Hebreus ensina que, enquanto cultua, a alma do crente deve estar mergulhada em reverência e santo temor (Hb 12.28,29). Isso significa que a mente do cristão deve se voltar totalmente para Deus durante o culto, lembrando-se da sua grandeza, santidade e justiça e preocupando-se, assim, em evitar qualquer coisa que o desonre ou desagrade. Esta e somente esta deve ser a preocupação do crente enquanto adora.

Por isso, se de um lado o cristão emergente pergunta “Será que os irmãos estão gostando do culto? Será que os incrédulos estão entusiasmados? Será que os visitantes estão satisfeitos e pretendem voltar?”, de outro, o cristão bíblico faz as seguintes indagações: “Será que o Senhor está se agradando do que estamos fazendo aqui? Será que a nossa adoração está sendo sincera e reverente? Será que o que estamos dizendo nos cânticos, nas orações e na pregação correspondem à mensagem que Deus ordenou que protegêssemos e proclamássemos?”  E esse segundo conjunto de perguntas reflete quem tem que ser o singular e verdadeiro foco de qualquer gesto cultual.

Intimamente relacionado ao segundo desvio das igrejas emergentes está o seu terceiro erro. Este consiste de acreditar que a adoração a Deus pode ser realizada conforme bem entendem os adoradores. Movidos por essa crença, as igrejas emergentes dão ao culto o formato que acham mais conveniente, atrelando-lhe práticas estranhas, nascidas a partir das percepções de seus líderes ou criadas segundo o bel prazer dos responsáveis pelo planejamento de suas reuniões.  

Esse erro decorre da falta de conhecimento daquilo que, em teologia, é tecnicamente chamado de Princípio Regulador do Culto, segundo o qual somente Deus pode determinar o modo como deve ser adorado. Ora, esse princípio parte da verdade de que Deus revelou na Bíblia como quer que o adorem, tendo feito isso para evitar que os homens caíssem no erro de prestar-lhe um culto maculado por práticas nascidas na mente corrompida.

O amparo bíblico para o Princípio Regulador do Culto pode ser visto tanto no Antigo como no Novo Testamento. Nos tempos da Antiga Aliança, todas as prescrições fixadas pelo Senhor acerca da forma como deveria ser o culto no Tabernáculo e, posteriormente, no Templo, deixam claro que somente Deus detém o direito de definir como deve ser o culto que lhe é devido (Dt 12.13,14). No Novo Testamento, o culto aceitável ao Senhor abrange orações (At 13.1-3), louvor cantado (Ef 5.19), celebração das ordenanças, comunhão (At 2.42,46), exercício dos dons (1Co 14.26), leitura e exposição das Escrituras (1Tm 4.13).

Nem sempre um só culto incluirá todos esses fatores, mas deve-se reconhecer que é lícito – e necessário – incluí-los na liturgia, sempre primando pela decência e pela ordem (1Co 14.40). Por outro lado, cerimônias de homenagem a este ou aquele indivíduo, decisões administrativas, apresentações de coreografia ou dança, práticas de entretenimento, uso de objetos religiosos, momentos de trato com demônios e outras invenções devem ser afastadas do culto público na busca de moldá-lo àquilo que o Senhor requer e não ao que as pessoas anseiam por ver ou fazer.    

Pr. Marcos Granconato
Soli Deo gloria

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